Balzaquianas Modernas
Diferença de idade há muito já deixou de ser empecilho para um relacionamento. E se antigamente era impossível pensar em mulheres mais velhas com homens mais novos, hoje são os homens na faixa dos 50, 60 anos que nem sempre preferem uma mulher mais jovem. Mas não é qualquer homem que consegue encarar uma mulher madura. “Os inseguros e narcisistas não têm condições emocionais de se aproximar de uma mulher com mais de 30 anos. Ela lembraria a ele o declínio da juventude que, se ele pudesse, adiaria para sempre”. A explicação é da psicanalista, psicóloga e consultora do “Par Perfeito”, um dos maiores sites de relacionamentos do país - Taís Sá Oliveira.
Os homens de 60 anos, segundo a psicóloga, também têm problemas com mulheres nessa faixa etária. Eles precisam de corpos em que o viço da juventude ainda não tenha se dissipado, querem um falso “espelho”. Já os homens de 30 não teriam esse tipo de problema. Para eles, a auto-confiança e estabilidade emocional das mais velhas representam menos conflitos e mais segurança.
Novos tempos
Para Taís, as mulheres de 50 anos de hoje equivalem às de 40 dos velhos tempos, e a mulherada de 30 são garotas, se comparadas à personagem de “Mulher de 30 anos”, obra de Honoré Balzac. Aliás, para quem não sabe, foi daí que se originou o famoso termo “balzaquiana”, que, segundo autor, seria a mulher no seu esplendor físico e mental.
A massoterapeuta Maria Aparecida Neves Herpio, 38 anos, é exemplo disso. Ela já foi modelo, mas garante que perto dos 40 é que está vivendo sua melhor fase. “Há alguns anos, quando me olhava no espelho, sempre queria mudar alguma coisa. Hoje, aprendi a me valorizar. Gosto do meu sorriso, do meu corpo. Estou segura”, comenta. Os conflitos que teve aos 30 anos já ficaram para trás e ela afirma que o segredo é estar em paz consigo mesma.
O filósofo Antônio Vidal Nunes acredita que algumas mulheres só amadurecem a sensualidade após superar valores e ideias interiorizadas. Foi exatamente assim com a publicitária e empresária Vera Novas, 47 anos. Separada desde os 40, resolveu dar uma “levantada” na vida e, em sete anos, cursou uma faculdade, estudou italiano, comprou um carro, um apartamento e diz que conseguiu nome e respeito no mercado. “Meu marido era reservado, me inibia e não me deixava trabalhar”, lembra.
Muito alegre, é conhecida pelo alto astral. Percebeu que a maturidade foi fundamental para se sentir mais segura e se redescobrir como mulher. “Me encontrei como mãe, profissional, dona-de-casa. Antes, tinha tudo arquivado e não podia realizar, hoje tenho uma identidade”.
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